Heloísa, uma curiosa, questionadora e observadora garota caminhava sempre que podia. Entre aquelas ruas apertadas do centro velho da sua cidade, achou, em um dia ensolarado, uma casa que vendia sonhos. Parecia perfeito.
Não entrou nem na primeira, nem na segunda, se esquivou na terceira, exitou na quarta…. Cansou de passar ali e voltar pra casa encabulada com a frase escrita logo abaixo do VENDEM-SE SONHOS: NÃO OS DE COMER! Parece brincadeira de alguém.
Certo dia, resolveu entrar e foi atendida por uma senhora velha, sorridente e acolhedora. Observou tudo: as paredes azuis, o tapete macio e o cheiro gostoso parecido com baunilha. De verdade, parecia que ali existia uma fábrica daqueles suculentos sonhos de padaria. Mas também parecia o céu vendido nos filmes de Hollywood. Se sentia confortável alí.
Quieta, e sem questionar nada, a senhora sorridente lhe vendeu fiado um dia de paz interior, sem curiosidade, sem questionamentos e sem observar até o que era obrigatório.
Heloísa dormiu 8 horas seguidas.



