1984-2013

Quando eu era criança, um vizinho tinha uma araponga em uma garagem gigante e aquele barulho ecoava. Dava pra saber a quilometros de distância que a araponga estava ali. Não sei se vocês conhecem o barulho da araponga, espero que não. Quando cresci um pouquinho, eu estava brincando com meus primos no quintal da casa dos meus tios em Ribeirão Preto, cacei não sei como um periquito daqueles australi…anos. Depois de um tribunal estabelicido ali mesmo no quintal da casa da tia Deth e do tio Luiz, decidimos que a viagem de volta seria com o pai e a mãe na frente e a vó intermediando a treta instaurava ali no banco de trás do Uno entre a irmã bicuda e o garoto enxaqueca, o cachorro imaginário, o gato highlander Billie, as malas e o periquito dentro de uma caixa grande com buracos. Tenho pouca memória mas acho que demoramos umas 10 horas pra chegar em Barra Bonita porque as paradas se revezavam entre o xixi obrigatório da vó Ana e também porque meu pai insistia em falar que o periquito tinha escapado (só pra me fazer chorar). Quando chegamos em Barra Bonita, arrumamos um outro periquito pra fazer companhia para aquele resgatado. Não sei se vocês sabem mas os periquitos se reproduzem pelo olhar, assim como o Fabinho meu amigo da 5°C. Em 15 dias tinhamos aproximadamente 70 periquitos em um viveiro grande no quintal. Era a paleta de cores viva mais bonita do mundo mas também a mais barulhenta. Não existe um minuto de silêncio em uma casa com um viveiro de periquitos. No final de 2005, eu morava no 2° andar do até então único prédio da rua Ponciano Ferreira de Menezes, atrás da USC. Não sei dados exatos do IBGE, mas Bauru tem a maior colônia de maritacas do estado de São Paulo quiçá do Brasil. Maritaca é um bicho estranho porque quer ser um papagaio mas não é. E aí fica revoltada acertando as contas com o mundo aos berros. Era um inferno morar nesse apartamento aos domingos de manhã. Todas elas resolviam ficar no fio em frente a sacada do apartamento. Tentei de todas as formas espantar elas dali mas resolvi me mudar porque dentre outros problemas eu era o maior incomodado. Hoje cheguei já estava claro. Fritei um ovo e comi com pão. Resolvi deixar a porta da cozinha aberta.’Já é dia, não há problemas’, pensei comigo. ‘Assim dá uma arejada na casa’. Acabei de acordar e me deparei com 3 pombas em cima da pia comendo um pedaço de pão que eu desisti de comer. Eu não sei o que isso pode significar mas a vida é marcada por pequenas e marcantes histórias e assim como os pássaros, o tempo voa.

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